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Por Silvia Macedo
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Destino Florença: A História da Galeria Uffizi e a Dinastia Médici.

25/07/2018

Nesse artigo apresento resumidamente a história da construção do edifício Uffizi, quais as modificações e acréscimos que ele teve ao longo da história, como foi formado o acervo da galeria e a influência da abastada e importante família Médici para a existência da Galeria Uffizi.

 

 

 Galeria Uffizi - Foto: Site Uffizi Gallery

 

 

O início da construção do edifício que alberga o museu deu-se em 1560. Foi projetado pelo renomado arquiteto italiano Giorgio Vasari (1511-1574), a pedido do duque de Florença, Cosme I (1519-1574), membro da família Médici.

 

A intenção do duque era abrigar num único edificío os escritórios (uffizi) dos trezes principais magistrados que estavam espalhados por diversos endereços em Florença, bem como a parte administrativa. Por outro lado, nessa nova edificação o duque também poderia controlar os magistrados diretamente a partir do contíguo Palazzo della Signoria (Palazzo Vecchio),  que havia sido transformado numa nova sede do governo.

 

Em razão da construção do edifício o mercado de carne que existia na Ponte Vecchio foi transferido para outro local para evitar o mau cheiro que causava nos arregores. Os açougues foram substituídos por casas de ourives, e desde então, até os dias atuais a Ponte Vecchio possui muitas joalherias e ourives.

 

O arquiteto Giorgio Vasari projetou o edifício em forma de U com um braço longo a leste, um outro curto assentado na margem do rio Arno e outro braço curto a oeste.

 

Giorgio Vasari terminou seu projeto em 1565. Após a construção, a pedido do conde Cosme I, do “Corredor de Vasari”, acrescentou um caminho particular que unia o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti (nova residência da família Médici. Na verdade essa passagem era uma passagem secreta para a abastada família Médici se deslocar de um palácio para outro.

 

Essa passagem secreta tem cerca de 1 km, margeia o rio Arno e passa sobre a Ponte Vecchio, quase inobservada.

 

Muitos proprietários foram desapropriados para possibilitar a construção do “Corredor de Vasari”, mas o  corredor passa por dentro da igreja de Santa Felicità e contorna Torre de Mannelli que não foram desapropriados, por decisão da  família Médici. A poderosa e rica família assistia à missa da igreja de Santa Felicità através de um balcão protegidon por vidro, sem ser vista ou incomodada pelo povo.

 

Naquela época esse corredor secreto era apenas utilizado como passagem. Nos dias atuais são adornados por mais de seiscentas obras, entre auto-retratos de artistas italianos e estrangeiros, desde o século XVI.

 

A partir de 1574, Francisco I, de Médici, sucede  seu pai Cosme I, e completa a decoração do edifício em 1580. Entre os anos de 1579 e 1581, os tetos foram decorados com afrescos, chamados de “grotescos” por causa dos motivos utilizados. No ano de 1581, Francisco I, decide usar a galeria do último andar para reunir sua coleção de arte, entre pinturas e estátuas, bem como, objetos como armaduras, miniaturas e medalhas, para deleite de sua família e a nobreza local.

 

No entanto, para acomodar melhor a coleção, o arquiteto Bernardo Buontalenti construiu no braço longo da galeria a chamada “Tribuna”. Uma construção octogonal inspirada na Torre dos Ventos, de Atenas, conforme teoria de Vitrúvio (arquiteto da antiguidade). Importante destacar que na época da construção da “Tribuna”, o arquiteto Giorgio Vesari, autor do projeto original do Edifício Uffizi, já havia falecido.

 

 

 Sala da Tribuna - Foto: Site Uffizi Gallery

 

 

A partir de 1587, o novo duque, Fernando I, de Médici aumentou o acervo das obras de arte existentes no edifício Uffizi. Acrescentou uma coleção de retratos, uma seção de cartografia e uma coleção de instrumentos científicos. Após sua morte, mais nenhum acréscimo houve no edifício Uffizi, até o fim da dinastia Médici.

 

O fim da Dinastia Médici deu-se em 1737, com a morte de João Gastão de Médici. Ela foi sucedida pela Dinastia Lorena. No entanto, apesar do fim da família dos Médici, o edifício Uffizi, manteve sua integridade graças ao legado da última herdeira, Anna Maria Luisa de Médici, que deixou tudo para a família Lorena, sob a condição de que a coleção de arte permanecesse intacta e em Florença.

 

E assim se cumpriu, no ano de 1769 a Casa de Lorena abriu o edifício ao público e passou chamar Galeria Uffizi. Nos anos de 1780 e 1782, duque Leopoldo, de Lorena, propiciou uma reorganização das coleções seguindo os critérios da época, então, Iluminismo.

 

Foi retirado vários objetos e destinados para outros museus, como armas, cerâmicas e instrumentos, concentrando na galeria, principalmente, as pinturas e esculturas, ordenadas por escola artística, sobretudo de nível europeu como quadros do Ticiano, Giorgione e Dürer.

 

Em 1779, foram trazidas esculturas da Vila Médici (Pálicio de Roma), um conjunto de esculturas clássicas, cópias romanas, de um original grego, agrupadas na sala “Niobe”.

 

Sala Niobi - Foto: Mario Quattrone

 

 

Entre os anos de 1842 e 1856 foram colocadas as vinte e oito estátuas nos nichos externos do edifício, homenageando ilustres da Toscana, como Giotto di Bondone, Nicolau Maquiavel, Leonardo da Vinci e Donatello.

 

Durante o século XIX a Galeria Uffizi foi enriquecida com esculturas de pessoas famosas – algumas das quais de autoria do escultor italiano, Giovanni Dupré – colocadas em nichos debaixo do pórtico Uffizi.

 

No XX, muitas esculturas foram colocadas em outros museus de Florença e foram adquiridos muitos quadros que pertenciam a coleções de igrejas ou  instituições religiosas.

 

No final do século XX, em 1988, houve uma grande reforma de restauração na Galeria Uffizi e foi incorporado  no braço curto assentado na margem do rio Arno, a Zecca Vecchia, antiga sede do correio.

 

Em 1993, houve um atentado à bomba com a explosão de um carro carregado de explosivos, que danificou alguns ambientes da galeria e do “Corredor de Vasari”. A autoria do atentado não foi desvendada.

 

Hoje em dia o Museu Uffizi está a ser ampliado para permitir aos seus visitantes a apreciação de muitas obras de arte preciosas conservadas no armazém do edifício.

 

 

A Dinastia Médici

 

 

A Casa dos Médici é proveniente da região de Mugello, na Toscana. Ela constituiu uma sequência de governantes da mesma família, vale dizer, foi uma dinastia política italiana do século XV até meados do século XVIII.

 

Tudo começou com Cosme de Médici, dito o Velho (1389-1464). Ele foi um banqueiro e político do século XV, fundador da dinastia política dos Médici, governante de Florença, de 1429 a 1464. Assumiu a condução do Banco Médici, fundado pelo pai em 1397, que viria a se tornar uma das principais instituições bancárias da Europa.

 

 

 Cosme de Médici, o Velho - Foto: Wikipédia

 

 

O poder político da Dinastia Médici inicialmente não era oficial, eles eram cidadãos comuns, mas ditavam as regras políticas de Florença devido o seu  poder econômico. No entanto, foi com Cosmi I (1519-1574),  segundo duque de Florença, e primeiro grão-duque da Toscana, que os Médici tornaram-se oficialmente líderes hereditários do Ducado, quando ele assume o poder em Florença, no ano de 1537.

 

 

Cosme I, conde de Florença, que madou construir o Edifício Ufizzi  - Foto: Wikipédia

 

 

Os Médici atingiram o seu apogeu até por volta do século XVII. O Grão-Ducado da Toscana foi governado pela família até 1737, com a morte de João Gastão de Médici.

 

Além da instituição financeira, uma das fontes de riqueza dos Médici derivava do comércio de produtos têxteis. Há estimativas de que a Dinastia Médici foi uma das mais ricas famílias da Europa. Além de atuarem na vida política de Florença e da Toscana, ainda se notabilizaram no mecenato.

 

E por falar em mecenato, destaco a origem do termo. Tudo começou em antes de Cristo, ou seja, muito antes da Renascença, através da figura de Caio Mecenas (68-9, a.C). Ele  foi um influente conselheiro do imperador romano Augusto. Caio Mecenas formou na sua época um circulo de intelectuais e poetas e passou a lhes patrocinar com bens materiais, amizade e proteção política. Nesse circulo de intelectuais estavam Horácio, Virgílio e Propércio. O comportamento de Caio Mecenas tornou-se um modelo e, posteriormente,  vários governos valeram-se de artistas e intelectuais para melhorar a própria imagem. Assim, originou na Antiguidade, a palavra “mecenas” para indicar um incentivo financeiro à produção artística. 

 

Esse tipo de incentivo à arte tornou-se prática comum na Renascença que buscava inspiração na Antiguidade grega e romana, e vivia um momento de pujança econômica  com o surgimento da burguesia.

 

Sendo assim, os Médici incentivaram e patrocinavam os literatos, e mais amplamante as atividades artísticas e culturais, possibilitando um ambiente onde a arte e o humanismo pudessem florescer. Foram os Médici que fomentaram e inspiraram o nascimento da Renascença italiana, juntamente com outras famílias da Itália, como os Visconti e Sforza, de Milão, os Este, de Ferrara e os Gonzaga, de Mântua.

 

Cosme I, de Médici foi mecenas de Donatello e Fra Filippo Lippi. A família também apoiou Michelangelo, que para os Médici produziu numerosas obras, mas infelizmente houve um incêndiu na galeria Médici, e muitas obras valiosas foram carborizadas. Apesar do incêndio, a Dinastia Médici continuou sendo grande colecionadora de arte e suas aquisições formam o núcleo da magnífica Galeria Uffizi.

 

Na arquitetura os Médici também estiveram presentes, foram responsáveis por notáveis intervenções em Florença, incluindo a referida Galeria Uffizi, o Palácio Pitti, os Jardins Boboli e o Forte Belvedere.

 

Com o fim da Dinastia Médici, a Galeria Uffizi, templo do Renascimento italiano, sobreviveu graças ao legado da última herdeira, Anna Maria Luisa de Médici (1667-1743), que deixou tudo para a sucessora família Lorena, sob a condição manter intacta  a coleção de arte, e em Florença.

 

 

 Anna Maria Luisa de Médici  - Foto: Wikipedia

 

Acredito que compreender o contexto histórico da construção do edifício Uffizi; a origem e a evolução da Galeria Uffizi e a influência da Dinastia Médici no período Renascentista, nos faz termos uma visão mais ampla sobre Florença, e especialmente sobre a Galeria Uffizi.

 

Endereço:

Piazzale degli Uffizi, 6, Florença.

 

Site oficial: http://www.uffizi.org/it/

 

Fonte de Pesquisa:

 

. Site: Museus de Florença

. Site: Galleria degli Ufiizzi

. Wikipédia

 

 

 

 

 

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